Sinto informar-lhe, mas as combinação das palavras ”eu”, ”te” e ”amo”, não são melodia para os meus ouvidos, querido.
Carolina sabia que não era assim, que essa não era a vida que ela havia escolhido. Mas todos os dias ela tinha que acordar e dizer com um meio sorriso no rosto um belo bom dia, mesmo que o dia não fosse bom, muito menos belo. Carolina sabia que se ela não sorrisse pro mundo, o mundo não sorriria pra ela, e por mais que tudo fosse uma mera tempestade, Carolina tinha que ser o sol. Carolina não podia chover como os outros, porque segundo o resto do mundo, ela não sentia. Carolina não podia ser ela, porque se fosse, ai sim que ninguém a entenderia. Carolina não podia nem ser educada com as pessoas, porque a chamariam de falsa. Carolina tinha que ser ela, mesmo não sendo. Carolina já havia pensado em desistir, mas viu que por mais difícil que fosse, ela teria que continuar. Carolina preferiu viver, mesmo morrendo todos os dias. Carolina era totalmente frágil, era uma flor que veio ao mundo com o formato de rocha. Mas parecia que por mais que a pequena tentasse, ela não conseguiria sair do lugar. A vida de Carolina era diferente, mas ela estava ficando cada dia mais triste, pois ao invés de ser a vida de Carolina, estava se tornando uma vida de humano, uma vida vazia. E era assim, durante 365 dias sorria. E ninguém via que na maioria das vezes eram gritos de socorro, Carolina tinha seus altos e baixos, mas ninguém percebia. Carolina era melancolia, mas todas as pessoas achavam os próprios problemas eram maiores que os dela. Pra eles Carolina tinha a obrigação de ser feliz, e pra Carolina, sua maior dor se tornou sorrir. Mas ela nunca disse isso ao mundo, iria doer muito mais, iriam a julgar, e de nada iria adiantar. Continuaria indiferente, sua dor continuaria inexistente. E o que se pode fazer, quando o o vazio maior passa a estar dentro de você ? Carolina se perguntava isso todos os dias. O sorriso de Carolina era oco, mas neste mundo louco, quem é que percebia ?
Céus,